Art Residency: Cowwarr Arts Space
 

I spent the last three weeks as the artist in residency at Cowwarr Arts Space, an arts centre in a tiny country town in regional Victoria. I went on the residency to create a body of work for my upcoming exhibition, A Garden of Delight, at Off the Kerb Gallery, opening in January here in Melbourne.

A few people asked me how come I'd go into isolation to create art about sex. The truth is that the more I explore the topic the more I realise that I need know and love myself before I know and love others.

The chaos of this year left me confused about my desires and who I am. I spent months reading books and watching documentaries and lectures on love, anatomy, tantra, feminism, and I spent plenty of time with others. I'd drawn a breath of inspiration and knowledge: I needed to breath out art, and I needed to do it away from everyone and everything. 

I stayed in their garden studio, a stand alone house with a studio space surrounded by big windows where I could watch the flowering plants and visiting bird species: fairy wrens, rosellas, magpies, cockatoos, willy wagtails, and more. The owners, Carolyn and Clive, are the most lovely and interesting people: it'd have been worth it going there just to meet them and hear their stories of travels, life, art.

On the first days, I got settled in, relaxing, writing and going for long bike rides on the Gippsland Plains Rail Trail (a bike trail connecting many of the region's towns, going past the arts space). The country was beautiful, the fields of hay punctuated by sculptural gum trees, and the wide horizon decorated by the layered curves of blues of the alpine mountains.

As the day danced from sunrise to sunset the endless skies were painted in many shades of blue, purple, pink and gold. Blue tongue lizards, red belly black snakes, and many fairy wrens crossed my path. In one of my cycling trips I discovered a little path that took me under the road bridge over the Thompson River. I could sit in the cold water, naked, surrounded by flying swallows, and no one could see me from the road above. This became my secret temple, where I went to daily to let the River wash my anxieties and sadness. 

In very little time, the openness of the fields and the experience of being completely alone amongst them relaxed me. I was once again reminded that I am small, so very small. All it takes is a few hours on a train and I am somewhere where I'm no one, where I could disappear into the Earth and no one would know, where the gigantic sky reminds me that I am a insignificant in the scale of the universe. When one is insignificant, why stress about small problems or about fucking up your life? 

I sang loudly and unashamed in my bicycle. Each song seemed full of significant messages, there where there was only me, the sky and my art. 

And I painted, more than I have ever painted in such a small amount of time: 21 pieces and many more sketches. I painted away the days with cobalt blue and permanent rose, expressing in visions of watercolour all that I have learnt and felt recently about sex, love, intimacy. 

This was my first ever art residency, but I can tell there will be many more. Being there for such a small amount of time had such a profound effect on me. It made me realise how important it is to be in Nature often and be reminded of my smallness. How confronting it is to be alone undistracted from your Self in all its beauty and ugliness. And above all, how essential it is to seek spaces where I can focus on expressing my heart uninterrupted. 

All the artwork I created will be in my exhibition in January. Meanwhile, I leave you with some pictures that maybe communicate a bit of that time and space to you. 

 

Eu passei as últimas três semanas sendo a artista residente no Cowwarr Arts Space, um centro de artes numa cidadezinha no interior de Victoria. Eu decidi passar esses tempos lá pra fazer a série de obras pra minha exibição "A Garden of Delight", na Off the Kerb Gallery em Janeiro, aqui em Melbourne. 

Algumas pessoas me perguntaram porque ficar só quando eu estava criando uma série inspirada em sexualidade... A verdade é que quanto mais exploro o tema mais eu me dou conta que eu preciso primeiro conhecer e amar a eu mesma, antes de conhecer e amar os outros. 

O caos desse ano me deixou confusa a respeito de quem eu sou e meus desejos. Passei meses lendo livros, vendo documentários e palestras sobre amor, anatomia, tantra, feminismo, e passei tempo o bastante com outros. Eu inspirei muita inspiração e conhecimento: eu precisava expirar, e expirar arte. 

Eu fiquei no estúdio do jardim, uma casinha com um estúdio de janelas enormes da onde eu podia assistir as plantas florescendo e os muitos pássaros visitantes: fairy wrens, rosellas, magpies, cacatuas, willy wagtails, e mais. Os donos, Carolyn e Clive, são pessoas muito interessantes e amáveis: valeu a pena ter ido lá só pra conhecê-los ouvir duas histórias de viagem, de vida, de arte. 

Nos primeiros dias eu fiquei escrevendo, explorando e relaxando, fazendo longos passeios de bicicleta na Gippsland Plains Rail Trail, uma trilha de bicicleta conectando várias cidadezinhas da região e que passava bem atrás do centro de artes. O interior era lindo, os campos de feno pontuados de eucaliptos esculturais, e o horizonte grande decorado por camadas de curvas azuis dos alpes australianos. 

Conforme o dia dançava do nascer ao pôr do sol, os céus infinitos eram pintados em muitos tons de azul, roxo, rosa e dourado. Lagartos de língua azul, cobras negras e muitos fairy wrens cruzavam meu caminho.

Num dos passeios descobri um caminho que descia sob a ponte sobre o rio Thompson. Eu podia sentar na água gelada do rio, nua, cercada de andorinhas voando, e ninguém me enxergava da estrada acima. Esse lugar tornou-se meu templo secreto, onde eu ía todos os dias pra deixar o Rio lavar minhas ansiedades e minha tristeza. 

Em pouco tempo a expansão dos campos e a experiência de estar totalmente só neles me relaxou. Mais uma vez lembrada que sou muito, muito pequena. Basta algumas horas num trem e estou num lugar onde não sou ninguém, onde a Terra poderia me engolir e ninguém ficaria sabendo, onde o céu gigante me lembra que sou insignificante na escala do Universo. E quando se é insignificante, pra que se estressar com problemas cotidianos ou em estragar a sua vida? 

Eu cantava muito alto e sem nenhuma vergonha na minha bicicleta. Cada música parecia cheia de mensagens significativas, ali onde havia apenas eu, o céu e minha arte. 

E como pintei, mais do que jamais pintei em um espaço de tempo tão curto: 21 obras, e mais tantos desenhos. Pintava os dias com azul cobalto e magenta, expressando em visões de aquarela tudo que eu aprendi e senti nos últimos tempos sobre sexo, amor e intimidade. 

Essa foi a minha primeira experiência numa residência artística, mas eu sei que muitas mais virão, porque estando lá por um tempo tão curto teve um efeito tão profundo em mim. Me dei conta como é importante estar na natureza com frequência e me lembrar da minha pequenez. Como é confrontante estar só sem distrações de si mesma, em toda a sua beleza e feiura. E acima de tudo, como é essencial buscar espaços onde posso expressar meu coração sem sem interrompida. 

Toda a arte que criei enquanto estava lá vai estar na minha exibição em Janeiro. Enquanto Janeiro não chega, deixo aqui fotos que talvez transmitam um pouco desse tempo e lugar para vocês. 

 

BOTH is a Brazilian artist based in Melbourne, Australia. Her work explores duality and the relationships between the macro and microcosmos, inspired by plants, nebulae, sex & dreams. She expresses it on vibrant walls, zines, exhibitions and more. 

BOTH é uma artista Brasileira trabalhando em Melbourne, na Austrália. Sua arte explora dualidade e relações entre o cosmos interno e externo, inspirada por plantas, nebulosas, sexo e sonhos. Ela se expressa em murais, ilustrações, exibições e muito mais.