WritingJúlia Both

Art of Both

WritingJúlia Both
Art of Both

I’m an artist, there is no doubt about it. 

Apart from that one piece of certainty, I am not sure of many things. I think being an artist is standing in a void of convictions, because art is so mysterious. And I always think that art, like any human effort, is both hugely important and completely meaningless. 

To try and capture the experience of being an artist into words is a challenge. My answer to “what sort of art do you do?” has always been vague. Not because my art is vague, but because it is driven by a feeling so powerful but so, so abstract. A very physical, strange emotion, of being at once aware of my inevitable death and overwhelmed by the beauty of being alive. Being both full of joy and sadness. A painful bliss, a naive wisdom.

Above all, a sensation that I cannot comprehend what I’m going through and what surrounds me, because it won’t fit in my body, it overflows through my pores.

Is art just a residue of that overflowing?

A feeling that all is one, and one is in all. The divine presents itself in the mundane. Masculine and feminine structures share the same flower. All of life is simultaneously death, as creatures consume and destroy each other to survive, an advancing mass of cyclical fertility born from elements created in the hearts of dying stars. 

To contemplate such stars or the most delicate flower reveals the size and complexity of what surrounds us. To see the world is to see, clearly, how insignificant we are. However, experiencing our love towards each other and our dreams, seem infinite. 

I am fascinating by observing and making art about those things (nebulae, plants, sex, dreams) because to do so reminds me that we are not just infinite, and we are not just insignificant: we are both

And perhaps the answer to “what sort of art do you do?” is: I make art about the giant and the tiny, about nature and spirituality, about dreams and molecules, masculine and feminine, sex and death. I explore many different themes and tangents, but that is what connects all of my creativity.

I make art about the inevitable duality of everything.

Eu sou uma artista, disso não há dúvida. 

Fora esta certeza, tenho muitas dúvidas. Acho que ser artista é viver num vazio de convicções porque arte é algo misterioso. E sempre penso que arte, como qualquer esforço humano, é ao mesmo tempo absurdamente importante e completamente insignificante. 

Tentar capturar a experiência de ser artista em palavras é um desafio. Minha resposta para a pergunta "Que tipo de arte você faz?" sempre foi vaga. Não porque minha arte é vaga, mas porque ela é motivada por um sentimento extremamente poderoso e extremamente abstrato. Uma emoção muito estranha e física, de estar ao mesmo tempo ciente da inevitabilidade da morte e envolvida pela beleza de estar viva. De estar ao mesmo tempo cheia de alegria e tristeza. Uma felicidade dolorosa. Uma sabedoria ingênua. 

Acima de tudo, uma sensação que não consigo compreender o que está acontecendo, porque a compreensão não cabe no meu corpo, ela transborda pelos meus poros. 

Será a arte um mero resíduo desse derrame? 

Um sentimento que todos existem em um, e um existe em todos. O divino se apresenta no mundano. Estruturas masculinas e femininas compartilham a mesma flor. Toda vida é simultaneamente morte, criaturas consumindo umas as outras para sobreviver, uma massa de fertilidade cíclica avançando pelo tempo, nascida de elementos criados no coração de estrelas moribundas. 

Contemplar tais estrelas ou a mais delicada flor revela a imensidão e a complexidade do que nos cerca. Testemunhar o mundo é ver, claramente, o quanto somos insignificantes. Ao mesmo tempo, quando somos engolfados pelo nosso amor uns pelos outros, nossos sonhos, parece que somos infinitos. 

Eu tenho um fascínio por observar e fazer arte sobre essas coisas (nebulosas, plantas, sexo, sonhos) que me lembram que não somos apenas infinitos, e não somos insignificantes: somos ambos

E talvez a resposta para "Que tipo de arte você faz" seja: eu faço arte sobre o gigante e o minúsculo, sobre natureza e espiritualidade, sobre sonhos e moléculas, masculino e feminino, sexo e morte. Exploro muitos temas e caminhos, mas o que une minha criatividade é isso.

Eu faço arte sobre a dualidade inevitável de tudo. 

BOTH is a Brazilian artist based in Melbourne, Australia. Her work explores duality and the relationships between the macro and microcosmos, inspired by plants, nebulae, sex & dreams. She expresses it on vibrant walls, zines, exhibitions and more. 

BOTH é uma artista Brasileira trabalhando em Melbourne, na Austrália. Sua arte explora dualidade e relações entre o cosmos interno e externo, inspirada por plantas, nebulosas, sexo e sonhos. Ela se expressa em murais, ilustrações, exibições e muito mais.